Vem em ondas. É como um impulso latejante, que não diz quando vai irromper. Não diz respeito às fotos que ainda estão nos porta-retratos. Olhar para elas por vezes me dão alívio, por vezes saudades e por vezes um aperto que me faz chorar. As lágrimas correm no soluçar da respiração. É como se eu estivesse cansado de uma maratona. Não de horas, nem de dias. Mas de anos.
Não que os primeiros anos não tenham sido bons. Foram. São os primeiros momentos que me causam mais lágrimas. Talvez por eu já sentir saudades deles bem antes do relacionamento terminar. Ou porque eu os esteja colocando dentro de uma fantasia romântica.
O correr da vida embrulha tudo. Já dizia Guimarães Rosa. E o correr da vida nos trouxe aqui. Diante desse abismo que se abriu entre nós. E, como duas placas tectônicas, nos separa pouco a pouco. Uma parte de mim quer que não seja tão rápido. Que se levem milhões de anos.
O sentimento da separação é algo estranho. Por mais que uma parte de mim, cansada, exausta com a repetição de situações, ávida pelo frio na barriga, pelo sorriso que sorri de volta. Às vezes tão ávido que perdi alguns dos últimos momentos assim. Momentos singelos que se perderam na complexidade do que nossa vida se tornou. O emaranhado que nosso relacionamento se tornou. E puxar a corda desse novelo tem suas consequências.
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